domingo, 10 de abril de 2016

Um momento, um pensamento

   O coração grita, esperneia, rompe com cada músculo que tenta lhe segurar, engata e chega à mão; enquanto a razão calmamente se apresenta, de uma forma lógica e aparentemente inequívoca, como numa equação, mostrando-lhe os riscos de cada pulo. Ir contra aquele nunca pareceu tão fácil, sufocar seus anseios e desejos nunca pareceu tão sensato, mas a dor deste ato revela que há algo de errado nisso. Como ser corajoso e se aventurar por estes caminhos tão tortuosos e traiçoeiros da vida quando carregas contigo um medo intrínseco e tão sensato?
   Tentas construir uma armadura, algo resistente o suficiente que te proteja de toda dor e sofrimento que possam surgir por este labirinto. Mal sabes tu que esta bolha só te impede de viver, de sentir, não há mérito nenhum em ver o tempo passar sem experimentar cada um de seus segundos, viver os momentos que ele traz. A empatia é solitária e vazia, transformas-te num boneco de lata sem coração, fadado a sonhar pelos outros e sentir através de outros olhos, ignorando os teus próprios. E entre os pesadelos da razão, sofres por antecedência. 
   Talvez a loucura seja apenas questão de ser, algo inerente a todos aqueles capazes de sentir, um rio de emoções que escorre pelos olhos quando não cabe mais no coração. Uma sinestesia da alma que se aventura pelo destino, encarando a si mesma no espelho, perdida. Quiseras tu que soubéssemos as receitas deste bolo, mas a imprevisibilidade é só mais uma das regras deste jogo. 

     Afinal, o que é certo? A curiosidade para uma pergunta talvez sem resposta te consome, e seguindo por uma verdade imaginária te perdes, cais entre as falhas desta ponte velha e sem fim. Abandonar tantos preceitos traz uma esperança de finalmente talvez encontrar um sentido para todo este redemoinho, uma morfina para um coração tão ansioso e dolorido e vida para uma razão tão vazia. Sorte para aqueles corajosos que ousam enfrentar seus medos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Viva la vida

  Eu vejo espelhos, eles estão me encarando, dizem que estou louca, já não sei mais por qual caminho seguir, são tantas ilusões nesta mágica que chamamos de amor. Várias portas me cercam, mas a que quero você trancou por dentro. Se eu espernear você me deixa entrar? Por que seu coração se fechou para mim?
   Em quantas rosas terei de me furar até que você me resgate deste jardim? Acho que tomarei um chá com o chapeleiro, quem sabe eu encontre na loucura o conforto que te recusas a me dar. Entre as luzes, eu danço, distribuindo sorrisos que seriam teus, mas sumiste.
  Acho que briguei com o tempo, ele se recusa a passar quando peço e põe-se a correr quando meus desejos são que pare. Restam-me apenas as lembranças, migalhas daquilo que o vento levou... Fico a recordar aqueles momentos, as belas melodias que compusemos. Carrego agora a saudade e este sentimento que enterraste em meu peito.
  Sei que ainda estou em seus pensamentos, sei que ouves meus gritos silenciosos exorando por tua atenção; sei também o porquê de me ignorares. Os sonhos impedem que eu me afogue num mar de lágrimas, as esperanças me carregam, os vícios me sustentam. Os dias passam distantes. Você me faz parecer tão louca agora, sua indiferença não me convence, eu sei que não sou a única. Você pode dizer que estou sonhando, mas esta loucura é nossa.
   Continuaremos fingindo então, dizendo ao mundo que não nos importamos, como se assim ele fosse nos poupar dos desafios, quão ingênuos nos tornamos? Agimos como se pudéssemos controlar nossos sentimentos, quando na verdade, tudo o que fazemos é sufocá-los. Eu preciso respirar




G.N.

Here we go again

   Sustentado por vícios, sigo perdido, como num labirinto. Por tanto quis estar aqui, entre os protagonistas do show, sob os holofotes, mas hoje eu só queria saber se estou em seus pensamentos, se eu poderia estar com você.
   Dizem que nada é por acaso, seriam estes sentimentos que agora tenho minha bússola e você o meu norte? Se assim o for, ajude-me a acha a saída destes devaneios, guie-me até a sanidade do seu abraço. Se não, deixe-me sucumbir às loucuras de minha mente.
   Onde estão as cartas marcadas deste jogo? Acho que nunca existiram, não existe trapaça na vida, pois sobre ela não há controle. Ganhaste-me com teus blefes, com tuas jogadas bipolares. Rendo-me ao coringa ou espero, aposto num coração que tanto já me enganou?
   Olhe onde chegamos, depois de tantos encontros e desencontros, agora vejo o outro lado da moeda. Melhor de três? Sonho acordada com o ar, enquanto afogo na realidade. No futuro, talvez, quem sabe, mas e agora?
    Hoje é você.





G.N.
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Teatro da vida

  Um dia eu já fui Clarice. No outro, fui Tarcila. Agora, acho que me perdi. Sinto falta de quando fui Maria, mas ainda mais de quando fui Layla, ou talvez de quando fui aquela. É, aquela, Ella. Essa última confesso que criei, mas tão bem me adaptei à tal que talvez ela mesma eu fosse… Quem sabe talvez ainda seja. Não sei. Foram tantas eus, que acho que já fui até mesmo um “nós”. Bom, então, sinto dizer que "nós" nos perdemos.
   É, confesso que já até acho cômico. Parece aquelas tragicomédias. Vai ver a vida seja isso, uma grande peça de teatro, cujo protagonista somos nós. Todas essas personagens em uma só, transformando-se conforme o ato. Veja, se está tudo dividido assim, pulemos para a próxima cena, por favor? Ou melhor, será que podemos voltar?
   Sinto dizer, mas desconheço o roteiro, está tudo no improviso. O que explica tantos erros, tantas falas mal reproduzidas, tantos cortes mal dados. Está tudo uma loucura, uma verdadeira tempestade. A gota d’agua já foi a ultima faz tempo, só esqueceram de contar que o copo estava furado. Só nos resta rir então, deste drama que de tão profundo tornou-se raso. São lágrimas de choro e de riso que enchem essa maré da vida.
    Pra ser sincera, a nostalgia me invade quando lembro daquele outro cenário, daqueles outros personagens e daquela velha história. Fazer o que se sonho com aquela antiga música de fundo, com aquela melodia calma e aconchegante, com aqueles olhos que narravam cada sentimento interpretado. Era tudo tão mais fácil, a ingenuidade trazia uma certa beleza ao contexto. As luzes tornavam a ilusão quase real. Mas a máquina de fumaça quebrou, a corda arrebentou e o pouso deste vôo foi tão suave quanto um coração de pedra.
    Pelo menos um novo elemento surgiu, esse coração pragmático, racional, calculista, coube perfeitamente no novo contexto impiedoso da peça. Foi um congelamento necessário para a sobrevivência no inverno da solidão. É, quem diria que mesmo um “nós" poderia encontrar a tristeza do silêncio. Mas, há sempre uma luz no fim do túnel, o Sol sempre dá o seu jeito de aparecer e tudo volta a ser só questão de perspectiva. Basta mudar a lente um pouco para reencontrarmos o foco.
      Tenho agora uma nova página em branco, milhões de possibilidades e muitas outras eus para ainda conhecer. Claro que o medo ainda me ronda, continuo naquela sinestesia louca, mas há sempre aquele plano de fundo de esperança que me grita um alto e sonoro “quebre a perna” que me incentiva a continuar, a me achar dentro desse complexo “eu”. Acredito Naquele que me dirige e por estes palcos sigo sendo a protagonista do meu show. E devo dizer, que espetáculo.



G.N.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Nos meus olhos eu carrego dor

Me dói querer e não ter.
Me dói o estômago, a fome.
Me dói esta humilhação.
Me enoja este odor.

Eu sou o lixo humano.
A escória da sociedade.

Ou pelo menos, assim os olhos me disseram.

Aqueles olhos que se recusam a pousar em mim…
Que temem levar qualquer peso à consciência de seus donos.
São olhos de desgosto, de piedade, de medo, de nojo.
São armas deste sistema hierárquico.

Eu choro
Eu imploro
Eu só quero que esta dor passe.

Juro, não é pelo dinheiro.
É apenas um apelo.
Uma mão estendida, como uma bandeira branca.
Tua atenção me é uma esperança.

Decepção.
Me dói existir
Ou melhor, me dói sobreviver.

Nesta guerra eu não tenho voz.
Olha pra mim, por favor.
Eu quero viver.
Me ajude.

Tão só…

Fui abandonado com minhas desconfianças
Passei as noites com meus medos
Acordei com as dores de todo dia
Dormi chamando a morte.

Hoje, eu vou agradecer
Pela chuva que não veio
Pelo abrigo, meu lar.
Por mais um dia

Se ao menos um dia eu pudesse me ter
Ser alguém…
Quem sabe eu fosse além do animal.

Ser.
Pensar.
Reagir.
Viver.

Mas hoje eu só quero comer,
Aliviar a dor que carrego no corpo,
Abafar aquela que grita da alma,
E sobreviver.


G.N.





quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Dedicado...

A fita é rebobinada. Revive-se os bons momentos por meio das lembranças amargas, enferrujadas pelo tempo, as quais nada fazem alem de reafirmar a solidão da realidade. Desejar não é poder, é apenas o querer, uma denúncia dolorosa de vossa insignificância. Não cabe a vós decidir, pois o bem e o mal dependem apenas do contexto.
  O passado passou, o presente é indiferente, não passa de uma espera demasiadamente longa pelo futuro. Este ultimo vive na incerteza, alimentando as esperanças nos sonhos e fantasias, os quais podem nunca se realizar. Reclamar é pecado, uma ingratidão absurda. O que seria de vós sem o hoje? Um eterno nada.
  Pois bem, sorride. Alegrai-vos. O coração há de perceber tal infantilidade, acordar da arritmia constante deste parque de diversões de azar. Esquecei aquele palhaço, deixai afogar-se na mentira que é; não há nada por detrás da máscara, nada mais do que uma farsa, desmerecedor da atenção pela qual tanto batalha por. Bebei desta droga, trapaceai se necessário, mas levantai vossa auto estima, antes que o elefante a esmague.
 

domingo, 28 de outubro de 2012

Começando

   A vida é um jogo de interesses, no qual piedade e culpa são as piores fraquezas. Arrepender-se é inutil, desnecessário. Não há o errado, apenas jogadas ruins, que te levam a labirintos de sentimentos, a confusão de desejos enganando-te, conduzindo-te ao fundo. Esconder o que sentes, as vontades, é a melhor das estratégias, pois o coração é o maior traidor, a maior das fraquezas.
   Somos todos meros competidores, seguindo regras imaginárias, abstratas, numa busca incansável por uma suposta verdade. O conhecimento não passa de uma trapaça, uma ilusão para a mente que, enganada, pensa ter encontrado o caminho. Sutilmente surgem os impasses, imprevistos que te tiram desses desvaneios infantis, revelando nossa insignificância.
   E nesta troca de favores nos divertimos, perdendo e ganhando.



G.N.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

La la la

 Eu viso ao fim, desejo o mundo e nada mais. Cada grão de areia de volta à rocha, montanhas ao chão, sem quedas, restaram apenas os precipícios. A aurora do saber, da luz que rompe as frestas da ignorância. Um sonho de paz. Quero abrir s olhos para esta guerra, encontrar o caminho de pedras, vencer, adormecer.
 Sorrisos de canto, observando de soslaio, um flerte inocente com a vida, brincadeira de criança, loucura de adolescente. A verdade se perde dentro das cores, assisto à tudo feliz, incapaz de distinguir os tons, as mentiras, ruflando as asas da mente.
 Os pés desenham passos, letras de músicas, compondo a melodia desta loucura. A leveza carrega o vento, sopra as nuvens, as quais escondem-se com a noite. Por estas escadas de ferro arrisco-me, vendo ao cabo o fim do dia, desaparecendo com as rimas.
  Sento-me para assistir ao mesmo filme, unindo-me a sentimentos que pensei ter abandonado, esquecendo a liberdade que por segundos abracei. A Lua, porém, sorri, regando o coração antes seco, agora aprisionado. Some a honestidade, volto à esse jogo infantil, de gente grande.
  Encanto-me com os diferentes nuances de cinza, divertindo-me com infundadas ilusões, logo esqueço conquistas e anseios, o mundo vira coadjuvante nesta perdição. Entretanto, sigo, pois em breve será a hora de acordar, de livrar-me destes clichês.


G.N.


domingo, 8 de julho de 2012

Les mots

* Maintenant nous sommes jeunes. Alors, viens passer votre jours avec moi, parce que le soleil n'attend pas.

* Sous le tour
   En bas de le mer
   Je t'envie
   Oú tu est?

* Quelq'un peux m'aider
    Oú sommes nous? Qui nous sommes?
    Tout que je peux fais est t'oublier

* Le bruit na minha mente
   Dans mon sprit o barulho
   Sussurros en choeur
   Je suis soeule avec les mots

* Si les mots sont assez
   Je te demand un amour
   Pour le dessiner en phrases

G.N.
Agradecimentos à professor Isabel, pois sem ela esses pequenos poemas não existiriam.

terça-feira, 20 de março de 2012

Herdeiro esquecido

As pétalas vermelhas gritavam, carpiam-se pelo verde de seus caules, mãos gélidas agarravam-nos, sugando-lhes a vida. A mais bela rosa jazia condenada, iluminava uma estrela caída. Seu brilho ignorado por insignificáveis ssntimentos, admirado pela dor, pelo tormento.
   Deitas-te neste leito, pelo qual serás consumida, a fragilidade de teu corpo tomada de ti lentamente. Liberta serás, limpa das impurezas deste mundo. A dignidade, da mais pura doença, agora carregas. Trocaste teus suaves últimos suspiros pela juventude eterna.
   Se respirar fosse possível, desejarias sentir eternamente um unico cheiro, o doce amadeirado do corpo daquele que nunca foi teu. Dormes na pureza, de um amor imaginado, um sonho nao realizado, um pecado de ti roubado.
  Esquecida pelo tempo, abandonada com meras lembranças. De nada adiantam, tão sujas, negras, tomadas por falsas esperanças. A paixão de teus lábios jaz morta, fadada à eterna ignorância, que um beijo não pôde salvar.
   Se no sombrio teu amor buscava respaldo, orgulhoso de ti agora deve estar, neste breu em que descansas o dia nunca mais há de te encontrar.   Caminharás pelas sombras, sem capas, apenas a verdade que por tanto escondeste. Sem mais janelas quebradas, apenas as mais doces mágoas, acalentando tuas secas lágrimas.
  Neste vazio, frio teu, ainda sorris. Caíste do mais alto céu, mas não possuis machucados, teu brilho está intacto, a beleza que o tempo não pode mais roubar. Evasora da vida, se estes espinhos teus dedos ferem, não temas, estão a te saudar. Um pacto eterno, de morte, de fim.

G.N.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fim

  Passo de pés juntos por este portal fundo, escondido, reluzente. Não há mais vozes a sussurrar, apenas uma única certeza. O fim não existe, é apenas o desejo secreto do tempo cansado, esgotado.
  Enganam-se os que acreditam na escuridão da cegueira, pois esta luz que vejo, ou penso ver, limpa. Os sentidos são despertados e logo exaltados, o mais puro bem cura os tecidos desgastados, esvazia os pulmões negros, sujos. Salva.
  O tempo corre, transforma o futuro incerto em passado. Sofrimentos são meras lembranças, sucumbiram à convergência de alegrias que enchem o corpo. Do mal tirou-se as escamas, as quais foram devolvidas às chamas.
  Nunca ouvi tanto quanto agora, sem palavras, apenas a pura compreensão. Este simples, antes tão complexo. Sinto o ar como parte de mim, tão maleável, ainda assim, indiscutivelmente, fiel, novo conhecedor da verdade.
  O barro contorna meus pés, as linhas suaves traçadas pelo mais delicado pincél delimitam a matéria da obra. As cicatrizes que ainda restam marcam vitórias, conquistas, as quais não devem ser levadas pelo tempo, representam a fé, a verdade, a superioridade desta certeza.
  Mundo falso, que ousou manchar-me, ensinaste-me pelo sofrer, mostraste-me teu coração frio, tornando o meu cálido. Ainda alheia ao saber, porém, segura, despeço-me. Passeio por novos campos, neste início recupero-me do fim e reescrevo meu novo começo.


G.N.

domingo, 13 de novembro de 2011

Sombras

E chega o tempo em que todos os grãos estão secos
E o vento demora a caminhar
Em que a terra já não se abre
E a liberdade é relativa e abstrata.
Chega um momento em toda uma vida
Em que o tempo se arrasta lentamente
Forçando-nos a encarar as pessoas como elas são
E obrigando-nos a derrubar os conceitos pré-moldados pela cegueira da hipocrisia
Escancarando o mundo em sua essência crua e desnuda de moralidade.
Encare.
Estude.
Descubra.
Só não chegue muito perto.

- C.B.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O amor

Esta redação foi uma proposta de um antigo vestibular, cujo tema era: elixir que levanta seu astral.

   O sol se põe, os caminhos transformam-se em becos estreitos, as saídas parecem sumir, a solidão prevalece, levando todos à depressão. Os desejos, as vontades, desaparecem, o mundo para. Você não vê nada, salvo a tristeza em seu coração.
   Deste poço, onde te encontras, nada pode te tirar. Talvez, quem sabe, exista algo, um solitário ato, algumas breves palavras... Infelizmente, já cansaste de por elas esperar. A última gota de esperança que apenas te mantém vivo, já arfa de cansaço, nem mesmo ela acredita mais.
   Não chores por este elixir, do qual foste privado, pois estas lágrimas que derramas de nada servirão para lavar a tristeza tatuada em teu peito. Este teu astral apenas te consumirá, as palavras que sairão de teus lábios serão vazias, respaldadas por sorrisos falsos e superficiais.
   Lembras do tempo em que iludias teus sonhos com esperanças infundadas, vias-te a andar de mãos dadas, rodeado por este elixir, por este amor, o qual, para ti, nunca realmente existiu. Conheceste a desilusão a partir da dor, do abandono.
   Porém, há um detalhe, uma certa fé urge em teu peito, um único raio de Sol atinge tua pele pálida, lembras-te de um olhar, o qual fitava-te, este estava, tens quase certeza, cheio de tal elixir, de amor. Então é verdade, ele existe. Teus lábios estendem-se em um sorriso, ergues-te, juntamente com teu astral, aquele que consideravas perdido.

G.N.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Terravida

Terravida

Se o céu e a terra enamorassem-se
Seria em forma de poesia
Cujos versos seriam folhas caducas
Transformadas em flores

Com suas pétalas macias,
Acalentariam o coração ferido dos amantes
A dor cessaria.
O dano, porém, nunca seria reparado.

O sol seria um presente
Luz, para aqueles que nada têm
E esperança na escuridão.

O mar lavaria as mágoas
E levaria consigo as lágrimas
Trazendo paz à vermelhidão.


G.N.

TCC Inglês

My theme is “The ordinary & the uncommon”. I’ll try to show you that usually, we’ve considered that the “normal” was the “right”, and, sometimes, you just need to let your hair down and live. Because these “different things” make you unique, especial.
 Lately, I’ve been noticing that we are expected to act as society says, to fill the profile. But shouldn’t we decide what we want to do with our lives? Why are we looking for somebody’s dream when we have ours? In fact, we don’t even know what is our dream, because we’ve grown up with millions of “advices” and expectations, which fill our minds with ideas and fake meanings of what life is about.
Since we were born, we’ve learned how to interact with people. This simple fact is considered, in science, as a human’s characteristic. Some of these scientists even consider it as an essential way of living. But how far is this necessity? We can’t forget the world that’s around us, we need to live on it. However, we also have to remind our world, which is kept on our hearts and minds.
I’ve always heard which careers were more respected, which had a higher salary, which I should follow. I’ve also learned how money is so needed on our lives, how we need it, and how impossible life gets when we don’t have it. I wonder if someday I’ll be able to think and plan my life without money, I guess it’s now impossible. Money, nowadays, is like a brick, essential to build our homes.
The worst wars were caused because people couldn’t respect and live with others who were different from us, even when some were a whole group, like the Nazis and the Jews. We need to tolerate and learn with the differences, we mustn’t condemn it.
 It’s funny how things get easier with your friends, because you can always count on them, you will always have a shoulder to cry on. But now, imagine who needs to get throw all the pain of been excluded by his own. Our minds are influenced and trained to follow the strongest group. Thankfully, our heart guides us to other direction, the one that’s full of joy and laughs. Never forget, that you might now be majority, but tomorrow you can be minority.
I consider dreams as our perfect worlds, where we can be whatever we want and built our own histories. There, trees can fly and the clouds dance with the stars. The sky isn’t that high, it’s possible to feel it’s softness. We can forget the problems, let the bad feelings go and rest.
Our days get so busy that we forget our dreams, our worlds. We concentrate in this world, considered the real one, and get intoxicated with it’s bad traffic of emotions. I’ve heard this phrase once: “Stuck somewhere between my dreams and reality”. That’s exactly where I am.
People may let you down, and you may get really sad. Just remember that you were made this way, you’re special. The ways you’ve chosen to follow may not be usual, but they are yours and, just like you, are unique. Replace this tears you drop for smiles, they can warm your heart and become good friends.
Doesn’t mind your colour, your weight, your gift, your career or whatever. You are just like everybody else: human. However, you’re also unique, you’re you. And no word can describe this complexity. Just like a rare flower, you’re precious, but you still a flower.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Same damn thing

  Vós vos sentis repetitivo, iludido, comum. Todos os caminhos parecem iguais, como se agora só existisse um, com apenas este solitário alguém seguindo-o, pisando com pés certos estes ladrilhos tortos. Perguntais à vós quantas vezes usastes deste mesmo começo, destas mesmas palavras, desta mesma ponte. Onde está o vento para sussurrar-vos algo? Vedes agora apenas denominações alheias, um mundo ordinário.
  Discutis com argumentos antigos e ultrapassados, vossas armas foram quebradas, tomadas. Temeis utilizar-vos de qualquer traço, de que adianta? Este ja estará marcado por antigas proezas que influenciam plagios pessoais, antigas ideias originais, reduzidas à Cd's riscados, desgastados. A melodia se perde nesta sinestesia.
   Estais a rever fantasmas passados, ainda que não aprendais nada com os mesmos, afinal o natal está longe e eles nem mesmo vos enxergam. Ansiais para suas três visitas, esperais que estas mostrem-vos uma saída para este corredor estreito. Advirto-vos que esqueçais desta esperança, deixe-a partir, pois estas almas preocupam-se com outros, àqueles ainda vivos, àqueles que ainda criam.
    Odiais a vós mesmo por não terdes coragem suficiente, por vos esconder atrás de uma segunda pessoa pluralista, quando sabeis a verdade: estais em primeiro. Sabeis muito bem respaldar vossas autônomas sublevações para não provar de suas consequências. Temeis julgamentos, pois amedrontai-vos com condenações. Não hei de vos dizer o que fazer, pois sabes que eu mesma não vos conheço, assim pergunto à vós: quem sois?
     Apenas uma máscara quebrada.





G.N.



Imagem retirada de: http://palhanoagulheiro.blogspot.com/2010/10/tira-mascara-que-cobre-o-seu-rosto-8.html

terça-feira, 5 de julho de 2011

Dream

  Os dias parecem comuns, mas é apenas a falta que destaca-se entre os desejos já alcançados. Agradecer pelo já conquistado torna-se mais difícil do que suspirar por aquilo que ainda não está concretizado. Só nos resta então sonhar com aquela vida que classificamos como perfeita, esperar que torne-se realidade e satisfazermo-nos com o já obtido, pois sem este, nada passa de um pesadelo.

G.N.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Alice e O Grande Cogumelo III

Alice está correndo.
O Grande Cogumelo está em perigo. 
Ela chora, pois o vento não quer lhe dar carona. 
Ela briga com o chão, que se arrasta lentamente aos seus pés. 
Seu corpo inteiro dói, pois o esforço a maltrata. 
Alice tem adrenalina escorrendo por seus dedos, pois ela precisa chegar a tempo.


- C.B.

Alice e O Grande Cogumelo II

Alice estava quieta. 
O Grande Cogumelo se erguia a sua frente, imponente e alto. 
Ela fita o vazio, e dele surgem arabescos, galhos em formatos exóticos que entrelaçam seus pés. 
Ela suspira, o grito mudo rasga sua garganta. 
As plantas sedutoras agarram seus membros, estrangulando delicadamente. 
Ela sente o ar fugir de seus pulmões e tenta soltar-se. 
Repentinamente, ela acorda. 
Foi só um sonho. 
O Grande Cogumelo está salvo.

- C.B.

Alice e O Grande Cogumelo

Alice cantava, serena, enquanto o Grande Cogumelo dormia.
Os olhos dela estavam reluzentes de lágrimas.
Seus pulsos delgados estavam presos por grilhões invisíveis de espuma.
Ela não podia vê-los, julgava estar livre.
Por esse motivo, pobre Alice, jamais conseguiria soltar-se.
O Grande Cogumelo suspirou, tranquilo em seu sono.


- C.B.