sexta-feira, 15 de abril de 2011

Outra pequena crônica

Ela estava em uma festa, mas poderia muito bem ser um velório. Ela parecia ser uma estrela de cinema dos anos 50 num pôster de um filme de drama, sentada com seu longo vestido vermelho escuro e seus cabelos castanhos caindo em ondas por sobre um ombro. Ele rodopiava pelo salão com a outra nos braços, seguindo o ritmo da musica orquestral que tocava ao fundo, exibindo no rosto o sorriso que por tantas vezes fora dela.
Todas as tardes que eles passaram juntos voltaram-lhe a memória. As conversas intermináveis, das mais triviais às mais interessantes. Quando lhes faltava assunto, ele costumava apenas sorrir para ela, como se sua simples presença já lhe proporcionasse felicidade. E que lindo sorriso ele tinha.
Ele costumava gostar de desenhá-la em diversas situações. Seus esboços eram dignos de um profissional. Ele fazia com que as cenas mais simples ficassem carregadas de sentido e poesia, talvez por que emprestasse sua própria paixão a elas.
E quando ela o via se apresentar com o violão nas casas noturnas da cidade... Era mágico. O sublime dedilhar nas cordas do instrumento formava um conjunto etéreo com a voz de veludo dele. Ele tocava as canções de suas bandas de rock inglesas preferidas, as quais eram, na opinião dos dois, as melhores do mundo.
Aqueles momentos compartilhados foram os melhores da vida dela, e agora, chegavam ao seu definitivo fim. Ela olhava para aquela desconhecida nos braços dele com um misto de inveja e raiva, sendo que esta última, ela admitia, era injusta. A outra nada sabia sobre o que ela sentia por ele, apesar de ter sido parte atuante, ainda que involuntária, de sua miséria.
Ela o amava, e sim, chegara a pensar que seus sentimentos eram correspondidos. Ela esperou por meses que ele se declarasse, porém, ele nunca o fez. Ela chegou a sonhar com uma vida juntos, sempre pensando como eles pareciam ter sido feitos um para outro.
Mas a grande prova de que suas esperanças tinham sido em vão estava lá. Linda por fora e destruída por dentro, ela assistia à valsa de casamento dele.

C.B.

Nenhum comentário:

Postar um comentário