sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mais um dia

Este texto foi retirado de um antigo(ou novo) caderno, o qual guarda algumas páginas por mim escritas. Eu o considero a raiz de meus outros textos e cadernos.

(Escrito em uma aula de redação, na qual eu não sabia o que escrever nem como parar de rimar)

 O vento sopra, gélido, sobre a pele desprotegida. Acorda memórias cálidas de um eu extinto. O esboço da lembrança renascida em forma de sorriso.
 O relógio marca 15h07, sento-me no estofado vermelho, buscando por inspiração.
 Admiro as gotas caindo esporadicamente sobre o chão, exorando, por atenção.Vejo rostos desconhecidos suspirarem, desiludidos com o antigo sonho da faculdade, agora pesadelo da realidade, o temido vestibular.
  Sublevo-me com os horrores do mundo contemporâneo, e logo volto a imaginar-me no passado, com um vestido pesado, cheio de anáguas e um apertado espartilho, roubando-me o ar. O traço de um sorriso volta a desenhar-se em meu rosto.
  A folha foge, levada pelo vento. Felizmente, é rapidamente recuperada pelo rapaz, que benevolente.
  Volto a escrever, esforçando-me para não rimar, pois Nelly, definitivamente, não se agradará. Opa, perdi novamente para meu autônomo subconsciente.
  Noto como à medida que escrevo o grafite vai deteriorando-se, virando palavras, ganhando sentidos. Algo bobo para se notar, mas pareceu-me tão poético, não pude evitar.
  Pego-me olhando mais uma vez o céu, desta vez o Sol já está a brilhar, iluminando, vencendo as nuvens, que tentam a sua luz frear.
  Última linha, só preciso um último parágrafo criar. Fim, já posso descansar...Assim que eu parar de rimar.

G.N.

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